26.6.17

VERTEM-SE BÍBLIAS EM QUIMBUNDO C/ CD CRIME

VERTEM-SE BÍBLIAS EM QUIMBUNDO C/ CD CRIME
Um livro de poemas + um CD de canções.


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Tempestade no mar, digamos no mar, no ar, gaivotas
Voam em círculos, salpicos, sobre os semáforos
E então, e então, vais atrasado, pára lá com os pássaros
Safa-te, ainda apanhas o comboio, corre que podes
Mexo-me, chego-me às paredes cinzentas, nado rápido
O céu tem a cor das paredes, das tempestades, digamos, o chão
De água escura, grãos de asfalto correm ali ao lado
Anda, vê as folhas a cair, conheces estes plátanos de há muito
Viveste anos com as árvores gigantes, devias saber respirar
E dormir melhor, olha para cima, bifurca-te, cai também
E que já quase não restam folhas, nada de tristeza, aprende
A cair de sono, ramifica-te pela noite, sonha plátanos
Abstrai os prédios sem graça onde cresceste, deixa-os além da margem
Corre pelas veias dos plátanos e as outras árvores sem nome
Foge da chuva, os braços nus estão na deles, não te agasalham
Tempestade na terra, no mar, folhas esborrachadas
Salpicos, peixes, explodem sobre o vidro, desvio-me do piano
Oiço-os ao fundo da sala, martelo as cores lá fora
Não neva, contenta-te com o branco das paredes, nunca neva, basta
O cinzento das paredes, debaixo da abóbada cinzenta
Digamos a acalmia que chega com a noite, os projectos
De sonho, de pequenas manchas de amarelo sobre branco e verde


VERTEM-SE BÍBLIAS EM QUIMBUNDO
- João Paulo Esteves da Silva
capa a partir de fotografias de Joshua Benoliel (manisfestação de guarda-chuvas), grafismo de Pedro Serpa

CRIME - João Paulo Esteves da Silva (piano e voz), Nazaré da Silva (voz), Samuel Dias (bateria e voz)
Música: João Paulo Esteves da Silva
Letras: Augusto dos Anjos, João Paulo Esteves da Silva, Guillaume Apollinaire, Miguel Martins, Mordechai Geldman
capa sobre fotografia de Pedro Serpa / grafismo de Pedro Serpa

Mia Soave#05





VERTEM-SE BÍBLIAS EM QUIMBUNDO/CRIME

Um livro de poemas e um disco de canções.
A relação entre os dois é uma barra inclinada entre quimbundo e crime a dizer que o autor dos poemas é o mesmo que o autor das canções. Mas será? convenhamos que sim, que a mesma pessoa responderá por aqueles actos poéticos e musicais. Quanto ao que venham a ser os dois objectos , preferiria que outros dissessem o que houver a dizer, caso haja.
Direi, ainda assim, que os poemas surgiram da repetição diária de passeios a pé, em Lisboa, quase sempre junto ao rio, mas também em zonas suburbanas; durante o Inverno de 2015/2016. Do caminhar munido de um tablet, de tirar fotografias com este aparelho user friendly e, depois, parar num café e escrever, sempre no tablet, ao ritmo da chegada da cafeína ao cérebro, foram surgindo os 22 poemas de (quase sempre) 22 versos.
Quanto ao disco, é crime em vários sentidos, inclusive este de convocar jovens acólitos para cantar, tocar e adoçar a nossa vida civilizada, tão assente em crimes amargos, antigos e modernos.

João Paulo Esteves da Silva


"À mesa"

Poema: Augusto dos Anjos
Música: João Paulo Esteves da Silva
Vídeo: Ana Deus

https://www.youtube.com/watch?v=NoDlhDzNC1o



Imprensa/Blog´s

Jogos Florais/Poesia e crítica | colaborador João Paulo Esteves da Silva:
www.facebook.com/events/236461933550533/


Concerto CRIME: 10 de Maio de 2017 / Reverso | 03 - Encontro de autores, artistas e editores independentes / Cossul, Lisboa



Lançamento em Lisboa: 5 de Maio de 2017 | Teatro Cinearte A Barraca
Lançamento: 24 de Abril de 2017 |Festival Realizar:poesia | Paredes de Coura



João Paulo Esteves da Silva | Douda Correria

douda correria#11
Trinta e quatro sonetos e trezentas e cinco redondilhas – João Paulo Esteves da Silva
https://doudacorreriablog.wordpress.com/2016/02/03/trinta-e-quatro-sonetos-e-trezentas-e-cinco-redondilhas-joao-paulo-esteves-da-silva/

douda correria#48
Tâmaras – João-Paulo Esteves da Silva


João Paulo Esteves da Silva
. (músico, poeta, tradutor)

Vem seguindo uma carreira pública enquanto pianista, improvisador, compositor etc. Mas aspira, e dedica-se, desde sempre, a muitas outras coisas. Por ex. à poesia. Publicou cinco livros, “Notas à Margem”, “Ainda Menos”, em 2001, na editora Amores Perfeitos, “Trinta e quatro sonetos e trezentas e cinco redondilhas”, em 2014, “Tâmaras” em 2016, na editora Douda Correria, “Vertem-se bíblias em quimbundo/Crime”, 2017, na Miasoave, e tem alguma colaboração dispersa por revistas, e poemas incluídos em antologias, como por exemplo “Voo Rasante”, Mariposa Azual, 2015, Nanopoética (Makomleshira, Israel,2017) Ao teatro, traduziu Beckett, Ibsen, Strindberg, Pasolini, Stoppard, Albee, Pinter, Rostand, entre outros. À língua hebraica. Metade do seu tempo dedica-o a esta língua e a estudos e escritas com ela relacionados, traduziu o livro ‘Teoria do Um” do poeta Mordechai Geldman, publicado recentemente (2015/2016) pela Douda Correria, e que vem a ser o primeiro livro de poesia israelita contemporânea publicado em Portugal . À busca de aproximações e diálogos entre a música e outras artes, assinou trabalhos em conjunto com o fotógrafo José Luís Neto, compôs bandas sonoras por exemplo, para o filme “Sem Nome” de Gonçalo Waddington, realizou uma curta-metragem, “Partitura”. Ainda em colaboração com o poeta já mencionado, Mordechai Geldman, tem pronto para publicação, neste momento, um livro de poemas seus, em hebraico.





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